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12.2.2. RECONHECIMENTO DO CIO Basicamente com um bom manejo, fornecemos ao animal condições para a manifestação do cio. Cabe ao inseminacaodor a tarefa de maior importância no processo de Inseminação Artificial, ou seja, a observação correta do cio. Muitos insucessos em programas de Inseminação estão relacionados com falhas na observação do cio. Com duas (ou três) observações diárias, uma no período da manhã entre as 5 e 6 horas e outra no período da tarde entre as 5 e 6 (17 h. e 18 h.) horas (sempre aproximar de 12 horas entre uma observação e outra), em um rebanho sadio com fêmeas vazias em idade reprodutiva, ocorre manifestação de cio em 2 a 5% ao dia em média. De modo geral, com 2 a 3 observações diárias, duas pessoas (enquanto uma cerca o lote, no canto da cerca, no saleiro, na manga, a outra se movimenta entre os animais), dispensando pelo menos 40 minutos em cada "rodeio" (o tempo de rodeio está diretamente relacionado com o tamanho do lote, da área e as condições de realizá-lo), terá o inseminacaodor condições de detectar o cio. A prática da Inseminação deve ser realizada com qualquer tempo, independente de sol, chuva, calor ou frio, sábado e domingo, feriado ou não, pois nem a vaca e nem o inseminacaodor escolhem a data e o momento da manifestação de cio. Devemos evitar lotes maiores que 300-400 animais, assim como de mantê-los em pastos muito distantes. O inseminacaodor deve estar atento ao comportamento do rebanho movimentando-se tranqüilamente entre ele e observando principalmente o posterior das fêmeas a procura de sinais indicadores, e quando de alguma suspeita não comprovada, aproximar o rufião destas fêmeas e ver como se comportam. O "aparte" das vacas a serem inseminacaodas, deve ser realizado de forma tranqüila, sem muita correria. Este aparte deve ainda ser realizado juntamente com o rufião ou daquelas companheiras do lote em questão. Em criações extensivas é aconselhável o uso de "sinuelos", para evitar que os animais apartados do lote se dispersem dificultando o manejo. Evitar de manter presas no curral as fêmeas a serem inseminacaodas por longo período de tempo, evitando ao máximo o estress. Quando houver necessidade, manter em uma manga próximo ao curral, com água, pasto e sal mineral. A grande maioria das fêmeas entra em cio à noite e de madrugada sendo observadas em cio no rodeio efetuado pela manhã (em torno de 60-70%), e portanto, serem inseminacaodas na tarde do mesmo dia, como regra geral. A quantidade de matrizes que se encontram aceitando monta no período da tarde é de 30-40%. Todo inseminacaodor deve possuir uma caderneta de campo (que é um documento e deve ser guardado como tal, mesmo que tenha sido "passado a limpo") onde, em cada observação de cio, anota o número das vacas a serem inseminacaodas e aquelas a serem observadas no próximo "rodeio" com mais atenção (podem estar apresentando algum sintoma de pré-cio, ou outra observação que julgar importante). É comum o uso de "bisnagas" com tinta xadrez (misturada ou não), para borrifar sobre os animais em cio, variando as cores de tempos em tempos. Cabe ao Veterinário a escolha do uso ou não de rufiões, assim como do uso de acessórios como o buçal marcador (chimball) preso ao pescoço do rufião, contendo uma mistura de pó xadrez (tinta) e óleo queimado, onde durante a monta, a mistura é liberada do buçal, identificando assim os animais que manifestaram cio, ou outros auxiliares na detecção do cio. Não esquecer que o olho do inseminacaodor é que irá definir sim ou não, e quando da inseminacaoção; portanto o olho do inseminacaodor é de suma importância e não pode ser substituído. O inseminacaodor deve ficar atento para os locais onde o buçal marca (anca, pescoço, omoplata ou o lombo), pois cada um tem uma interpretação. A incidência de cios muito curtos (apenas a noite) é menor que 5%, onde o uso de rufiões com buçal marcador passa a ser importante. O rufião é apenas um auxiliar. É muito comum observar demonstração de cio longe do rufião. Os rufiões podem ser de duas formas basicamente: - Os "rufiões machos" deverão ter aproximadamente 12 meses, quando o Médico Veterinário procede a cirurgia (com suas várias técnicas) para evitar a penetração durante a monta; - "vacas androgenizadas", sendo estas de minha preferência. Consiste na escolha de vacas (ou novilhas) com características fenotípicas (aparência externa) mais masculinizadas, de preferência vazias e do mesmo lote a serem inseminacaodas. A estas vacas é aplicado testosterona, normalmente 1 a 1,5 grama como dose de indução (500-750 mg/i.m. e 500-750mg/s.c.), a resposta positiva acontece em aproximadamente 7 a 10 dias e como resultado temos em média 70% com resposta boa e o restante não responde ao tratamento; e como dose de manutenção (a ser aplicadas àquelas que responderam a dose de indução) 500-750mg/s.c. a cada 15 dias (após a dose inicial), por período igual à duração do programa de I.A. (alguns animais, após a segunda aplicação, já não necessitam mais da reposição hormonal, pois respondem continuadamente). Ao final da estação de inseminacaoção estas rufionas deverão estar "gordas" (efeito causado pelo hormônio masculino que receberam) e poderão ser abatidas (respeitando o período de carência), retornando ao criador, os valores gastos com as aplicações, sem a necessidade de mantê-las para uma próxima estação reprodutiva. Como resultado temos rufionas menos seletivas (não ficam atrás da mesma fêmea em cio durante todo o tempo), mais atuantes, adaptadas ao lote. Para a escolha dos fêmeas a serem utilizadas como rufião, devemos observar que sejam do mesmo lote e que tenham características mais masculinizadas. A utilização de rufiões (machos ou fêmeas, com ou sem buçal marcador, ou outros auxiliares), bem como os horários de observação de cio, deverão ser acertados com o Médico Veterinário, segundo as conveniências de cada caso. Ainda podem ser utilizadas vacas com disfunção hormonal ou genética que se comportem como rufionas. A proporção de rufiões pode ser semelhante à do uso de touros, ou menor, variando de condição para condição (não esquecer que rufião é apenas auxiliar). Bezerros em aleitamento ou recém-desmamados também auxiliam na detecção de cio. O inseminacaodor menos experiente deve fazer uso de rufiões para ajudá-lo nas suas conclusões. Isso não quer dizer que os mais experientes não devam usá-lo. Ampolas com corante aderidas à anca , também poderão ser usadas, mas são de custo elevado e questionável nestas condições climáticas. Há outros meios de detecção de cio (inclusive eletrônicos) ainda em estudo. No entanto, nunca é demais lembrar que nenhuma forma de observação de cio será tão eficiente quanto aquela desempenhada pelo inseminacaodor competente, responsável e interessado pelos resultados dos trabalhos.
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