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6.4.1. SANIDADE NA REPRODUÇÃO A natalidade dos bovinos pode ser influenciada através da seleção de reprodutores e matrizes com boa capacidade reprodutiva e pelo estado sanitário dos animais. As doenças infecciosas, de origem bacteriana, viral ou parasitária são importantes, pois afetam o aparelho reprodutivo de machos e fêmeas, impedindo a fecundação, causando abortos, repetições de cio, o nascimento de animais com porte inferior à média, disfunção hormonal, entre outros, inclusive a perda da função reprodutiva. A maioria das disfunções passa desapercebida. Sendo assim, o controle preventivo de machos e fêmeas é de fundamental importância para se obter maior número de nascimentos de bezerros e, consequentemente, maior rentabilidade na produção. CUIDADOS COM OS MACHOS Os machos destinados à “touros” (inclusive os de compra), devem ter origem de pais melhoradores nos aspectos reprodutivos e produtivos, passar por criterioso exame de seleção, onde se observa a condição corporal, aparelho locomotor, parâmetros genéticos favoráveis (o ideal seria o teste de progênie) e aparência fenotípica (externa), além de exames laboratoriais (sanitários). Ao exame físico devemos observar o aparelho genital completo, procurando anomalias, defeitos, processos inflamatórios e observando medidas e condições estabelecidas para cada raça e respectiva idade. O exame andrológico completo deve ser realizado antes de cada estação reprodutiva. A capacidade de serviço e a libido devem ser confirmados a campo. Casos
de falha na reprodução, normalmente são atribuídos às fêmeas, quando
na verdade, os machos ocupam o maior destaque através da transmissão de
doenças pela monta.
CUIDADOS COM AS FÊMEAS Fêmeas destinadas à estação
reprodutiva devem apresentar boa condição corporal (5 acima), e estarem
ciclando normalmente. As fêmeas devem ser selecionadas antes do início da
estação reprodutiva, para a formação dos lotes. 6.4.2. PRINCIPAIS ENFERMIDADES DE INTERESSE
REPRODUTIVO As doenças da reprodução possuem peso
importante nos índices de natalidade, taxa de prenhez, retorno ao cio,
natimortos, entre outros, ou seja, inúmeros prejuízos. Várias são as enfermidades reprodutivas
que acometem os bovinos, porém, o aborto causa maior impacto, mas não é a
enfermidade que causa maior perda. O aborto em bovinos ocorre nos diversos
estágios gestacionais e possui diversas causas, de modo que é fundamental
o seu diagnóstico. As causas principais são a brucelose, leptospirose,
campilobacteriose, complexo herpes vírus, trichomonose, diarréia viral
bovina, intoxicações, nutricionais, de manejo e outras desconhecidas. 6.4.2.1. BRUCELOSE A suspeita da ocorrência de brucelose em
um rebanho, geralmente está associada aos abortos no terço final de
gestação, sendo uma enfermidade que afeta várias espécies de animais
domésticos e silvestres. Acomete bovinos de todas as idades e de
ambos os sexos, afetando principalmente animais sexualmente maduros,
causando sérios prejuízos devido a abortos, retenções de placenta,
metrites, sub-fertilidade e até infertilidade. Portanto, quanto maior o número de vacas
infectadas (que abortarem ou parirem em uma determinada área), maior o
risco de exposição de outros animais do rebanho. É importante fazer o
diagnóstico das vacas infectadas e sua remoção dos pastos maternidade
antes da parição. Assim, o estágio de gestação e parição, a remoção
dos animais infectados, seguidos de vacinação das bezerras (entre 3 e 5
meses), constituem importantes detalhes na forma de manejo. A brucelose (uma das doenças
infecto-contagiosas com maior destaque na esfera reprodutiva) tem como
principal via de contaminação, a digestiva; por água, alimentos, pastos
contaminados com restos de aborto, placentas, sangue e líquidos
contaminados (proveniente de abortos e partos de vacas e novilhas
brucélicas). A transmissão pela monta por touros
infectados também pode ocorrer, mas em menor proporção que a digestiva. A principal característica da brucelose
é ser uma doença que afeta os órgãos da reprodução. Através da
inseminacaoção também poderia ocorrer contaminação, pois a "Brucella
abortus" (agente causador) resiste ao congelamento e ao descongelamento
juntamente com o sêmen, mas, o controle sanitário do sêmen envasado nas
centrais de congelamento elimina esta possibilidade pois somente
reprodutores isentos da enfermidade, entre outras, é que devem ser
congelados. Não podemos esquecer que a brucelose
causa sérios danos também aos touros através de orquites e epididimites
uni ou bilaterais, podendo levá-los a sub-fertilidade e até mesmo à
esterilidade. Quando os touros se recuperam da
enfermidade, podem tornar-se disseminadores, se seu sêmen for coletado sem
diagnóstico prévio, e utilizado em programas de Inseminação Artificial. A introdução de animais infectados, em
rebanhos sadios é o caminho de entrada da brucelose na propriedade, mas a
manutenção destes animais, é pior ainda (pela propagação entre o
rebanho). Com a doença surgem os abortos, partos
prematuros, retenção de placenta, endometrites, orquites, baixando,
portanto, a eficiência reprodutiva do rebanho. A principal característica é o aborto
que ocorre a partir do quinto mês de gestação, geralmente acompanhado por
retenção de placenta e endometrite. A vacinação com a vacina B19 (fêmeas
entre 3 e 5 meses), geralmente é eficiente para prevenir o aborto, além de
aumentar a resistência à infecção, mas não imuniza totalmente o rebanho
e tampouco possui efeito curativo. A percentagem de aborto na primeira
gestação de novilhas brucélicas não vacinadas é de aproximadamente
65-70%; já na segunda gestação cai para 15-20%; após duas gestações
dificilmente acontece o aborto, mas, aí é que reside o problema, pois
estas fêmeas vão parir normalmente. E, a cada parição haverá nova
contaminação dos pastos, devendo estas fêmeas serem descartadas logo
após o diagnóstico positivo, que ocorre através da coleta de sangue e
exames laboratoriais. Nos rebanhos onde as fêmeas de
reposição são basicamente obtidas através de compras indiscriminadas de
animais jovens ou maduros sexualmente, o índice de animais positivos e
abortos tende a ser elevado, disseminando rapidamente a doença. A vacina contra a brucelose, com a vacina
B19, deve ser feita por Médico Veterinário, sendo que este deve tomar os
devidos cuidados para não se infectarem, uma vez que ela é feita com
vírus vivo, apenas atenuado. Devem ser vacinados apenas as fêmeas com
idade entre 3 e 5 meses, e no momento da vacina , identificar estes animais
com marca a fogo no lado esquerdo da cara. Exames periódicos de amostragens do
rebanho devem ser realizados para se ter uma idéia da evolução da
enfermidade na propriedade. Os animais vacinados na época certa,
possuem reação "falso positiva" até aproximadamente 30 meses,
pelo método de soro-aglutinação rápida em placa (o mais usado pelo seu
baixo custo, e que nos aponta resultados muito incertos). Os animais que, por erro de manejo não
foram vacinados, quando do exame não devem reagir, a menos que já sejam
"verdadeiros positivos". Daí a necessidade da marca na cara, para
diferenciar os resultados de soro-aglutinação. Animais vacinados tardiamente podem ser ao
longo de sua vida "falsos positivos" pois sempre que se realizar o
exame, haverá reação positiva. Nestas situações, deve realizar-se
outros tipos de exame que diferenciam reação vacinal de positivos. O diagnóstico realizado a partir de
coleta de material (sangue) próximo ao parto (2 a 4 semanas antes ou depois)
implicará em significativo aumento de resultado falso negativo. Testes de fixação de complemento, rosa
de bengala, Elisa, e outros, podem ser usados como diagnósticos mais
precisos, mas deve-se levar em conta o custo de tais exames. É também problema de saúde humana, pois
o homem pode contrair a enfermidade (zoonose) através de alimentos e água
contaminados pelo contato com fetos abortados, urina, fezes, placenta e
carcaças contaminadas, como ainda também pela ingestão de leite não
pasteurizado e do queijo, podendo causar vários distúrbios, inclusive a
esterilidade. As medidas de controle são afetadas por
uma variedade de fatores, mas através de esforço conjunto, entre
Veterinários, proprietários e laboratórios (através de técnicas de
diagnóstico confiáveis e viáveis), pode-se estabelecer critérios e
medidas de manejo, assim como a vacinação, entre outras, para melhor fazer
o controle ou erradicação da brucelose. 6.4.2.2. LEPTOSPIROSE Causada
por diversos sorovares da bactéria do gênero Leptospira. A
leptospirose afeta animais e humanos, causando, principalmente, perdas por
abortos em bovinos além de infecções disseminadas pelo organismo. A
transmissão ocorre através da urina, parto, leite, abortos, mas
principalmente através de roedores e animais silvestres infectados. A
enfermidade apresenta-se geralmente de forma subclínica (sem sintomas
facilmente detectáveis), particularmente em animais não lactantes e não
gestantes. Manifesta-se clinicamente através de retorno ao cio (aborto
precoce- o feto se mostra autolisado (destruído-desmanchado) indicando que
houve morte algum tempo antes do aborto), queda na produção leiteira,
mastites, natimortos, fetos prematuros e/ou fracos, subfertilidade ou
infertilidade decorrentes de complicações. O
diagnóstico é realizado de forma diferencial com outras formas de aborto,
além de exames laboratoriais (principalmente da urina), dados clínicos e
epidemiológicos. O
tratamento através de estreptomicina visa impedir a septicemia (disseminação
por todo o organismo), consequentemente controlando a contaminação do
ambiente. A
vacinação de todos os animais (em rebanhos de incidência alta) deve
iniciar em todos os bezerros de 4 a 6 meses de idade, seguidas por vacinações
anuais (sempre com vacinas que abrangem o maior grupo de leptospiras.). A
primovacinação (1ª vez) precisa de um reforço com 3-4 semanas de
intervalo. Como
vacinação estratégica, pode ser realizada 1 (um) mês antes da estação
reprodutiva. 6.4.2.3. IBR-IPV Rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) e
Vulvovaginite pustular (IPV) fazem parte do complexo Herpesvírus bovino,
causadas pelo HVB tipo-1, responsáveis por abortos entre outras
enfermidades. O HVB pode produzir uma variedade de manifestações clínicas
como a mastite (inflamação do úbere), conjuntivite (inflamação da
conjuntiva), balanopostite (inflamação da glande e do prepúcio), doenças
estas que podem ocorrer em um mesmo surto, com animais distintos. A IBR é a forma respiratória,
ocasionando febre e lesões de transtorno nas vias superiores do animal, com
quadros respiratórios graves (as vezes) em animais jovens. A IPV é uma infecção da mucosa vaginal
e da vulva que manifesta-se por edema, secreção com exsudato, pústulas de
conteúdo mucopurulento, transtorno no ato da micção, endometrites,
repetições de cio e infertilidade temporária por período igual ou
superior a 60 dias, quando retorna o ciclo estral normal e fértil. A infecção nos touros possui caráter
importantíssimo na disseminação da enfermidade através da cópula, com
lesões no pênis e prepúcio, além do sêmen contaminado, os touros
transmitem, a cada monta, o vírus às fêmeas sadias. A Inseminação Artificial pode transmitir
a enfermidade se o sêmen estiver contaminado. O aborto (seguido de retenção de
placenta) ocorre normalmente, no terço final da gestação, onde associados
a este, estão os sinais clínicos de conjuntivite, rinotraqueíte,
vulvovaginite, ou ainda, isentos dos mesmos. Uma vez diagnosticada a enfermidade
devemos proceder a vacinação dos que ainda são jovens e repetindo a
vacinação anualmente para manter a imunidade. Para fêmeas adultas, a
vacinação deve acontecer no início da estação reprodutiva. 6.4.2.4. BVD A Diarréia Viral Bovina (do gênero pestivirus) é um complexo de doenças associadas com a infecção pelo
vírus da BVD que diminui a imunidade. Virose também conhecida por causar
desordens reprodutivas, sendo que a infecção fetal (transplacentária)
pode levar à morte embrionária, ou até defeitos congênitos (nascidos com
o indivíduo, como a microencefalia, hidrocefalia, hipoplasia cerebral,
defeitos oculares), surtos de diarréia, abortos, entre outros. A infecção com o vírus da BVDV ocorre
através das vias nasal ou oral, podendo ocasionar a morte do animal (jovem
ou adulto) e o nascimento de animais pouco desenvolvidos que podem tornar-se
portadores da enfermidade. Os animais infectados (com a introdução
no rebanho de animais comprados, principalmente) liberam continuamente o
vírus através de suas secreções e fluídos corporais, transmitindo
lentamente a infecção entre os bovinos, disseminando primeiramente os
animais mais próximos, de forma que a identificação e o isolamento dos
animais por 3 semanas, diminuem as chances de um surto de BVDV. O sinal clínico de aborto é o mais
difícil para se diagnosticar, o que pode ocorrer semanas após a
instalação do vírus em animais vacinados ou não e, que às vezes, não
tenham demonstrado outros sinais clínicos da enfermidade, além da
necessidade do diagnóstico diferencial das outras causas de aborto. O controle pode ser efetuado através de
vacinas inativadas (seguindo o esquema do fabricante), geralmente associadas
a outros agentes infecciosos como a parainfluenza. Como vacinação, pode
ser realizada em animais de 8 a 12 meses e estrategicamente 1 (um) mês
antes da estação reprodutiva. 6.4.2.5. TRICHOMONOSE É doença infecciosa e sexualmente
transmitida, causada pelo Trichomonas foetus que afeta fêmeas e machos em
idade reprodutiva, causando morte embrionária, aborto, endometrites,
piometras, ou fetos macerados, como conseqüências diretas, pois o maior
prejuízo está na diminuição de nascimentos e na demora do
estabelecimento da prenhez, como forma indireta. A principal via de transmissão acontece
durante a cópula (monta) onde o macho infectado contamina a fêmea ou é
contaminado por esta, ou ainda, através da Inseminação Artificial com
sêmen contaminado. O aborto pode ocorrer normalmente até o
quarto mês de gestação, mas a característica mais marcante é o grande
número de repetições de cio, ciclos estrais irregulares, baixo índice de
concepção, corrimentos vaginais com fluído claro ou amarelado. O tratamento das fêmeas é praticamente
ineficaz e desnecessário, pois a maioria destas recupera-se após um
descanso sexual. Prostaglandinas podem ser usadas no sentido de fazer uma
"limpeza" do útero e regularizar o ciclo estral. Os machos contaminados, com idade superior
a 5 ou 6 anos devem ser descartados, pois geralmente tornam-se portadores
disseminando a doença. Vacinas inativadas podem ser usadas em
touros jovens para evitar a propagação da enfermidade, mas o tratamento
mais eficaz para as fêmeas é o uso da Inseminação Artificial com sêmen
de reprodutores isentos da enfermidade, ou o repouso sexual por mais de
90-100 dias, o que economicamente, não é interessante. 6.4.2.6. CAMPILOBACTERIOSE Enfermidade assim denominada por ser
causada por espécies do gênero Campilobacter fetus subesp. venerealis,
sendo também uma doença venérea, exclusivamente de bovinos que não causa
nenhum mal aos machos, mas inflamações no trato genital feminino podendo
levar até a infertilidade, passando por baixa taxa de natalidade,
endometrite, aborto entre o 4° e o 7° mês de gestação. O desempenho reprodutivo das fêmeas pode
sugerir a presença da enfermidade, sendo que os sinais clínicos se
assemelham à tricomonose e de outras doenças infecciosas do aparelho
genital. O tratamento em bovinos é
desaconselhável, pois os resultados são insatisfatórios e
antieconômicos, salvo em condições especiais, quando podem ser tratados
com estreptomicina. A principal medida é o uso de Inseminação Artificial
como tratamento de eleição. |